CBKC: Cavalier King Charles Spaniel e a Siringomielia

Aconteceu em Atibaia (SP), no último 31 de maio, o 1o Fórum de Discussão do Conselho Brasileiro da Raça Cavalier King Charles Spaniel, como parte da exposição de aniversário do CBKC.

O CRV Imagem esteve presente com Dra Tais Guimarães, membro da equipe de Tomografia do CRV, e Dr Alex Adeodato, neurologista veterinário e nosso diretor-geral. Ao lado de outros veterinários, Dr Alex participou do painel que discutiu as doenças hereditárias que acometem os Cavalier King Charles Spaniel.

A seguir, você confere uma reflexão do Dr Alex Adeodato sobre os assuntos que circundaram o evento.

 

“Durante o fórum, médicos veterinários discutiram formas de reconhecer, prevenir e tratar doenças (em especial as hereditárias) que acometem os Cavalier King Charles Spaniel.

Todas as raças apresentam doenças específicas de fundo genético. No Brasil, no entanto, o assunto é ainda muito pouco discutido, enquanto em outros países há conselhos e comitês sérios dedicados a esta especificidade.

 

A Siringomielia
No painel de palestrantes, Dra Renata Squarzoni (oftalmologista do GENOV-SP), Dr Guilherme Pereira (cardiologista do VESTP-SP), Dra Carmen Sicherle, que falou sobre controle de doenças hereditárias, e eu, Dr Alex Adeodato, que abordei especificamente a Siringomielia, doença neurológica relevante nos Cavaliers.

A Siringomielia é uma doença complexa e relacionada à formação de cavitações cheias de liquido na medula espinhal. Apesar de os mecanismos envolvidos na formação desta bolsas ainda serem desconhecidos, pressupõe-se que exista alguma relação com alterações de pressão no líquido cefalorraquidiano em algumas áreas da medula espinhal.

 

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O 1o Fórum de Discussão do Conselho Brasileiro da Raça Cavalier King Charles Spaniel aconteceu durante o CBKC.

 

Chiari tipo I
No ser humano, a Siringomielia está muito associada a uma má-formação conhecida por Chiari tipo I. Nos cães, isso é incerto, pois um número grande de animais braquicefálicos apresenta alterações na ressonância magnética que poderiam caracterizar algo parecido com uma má-formação de Chiari. 

As duas raças com maior predisposição para ocorrência da Siringomielia são o Cavalier King Charles Spaniel e o Griffon de Bruxelas, mas não raro encontramos essas alterações em Bulldog franceses, Yorkshires entre outras.

Clinicamente, a Siringomielia pode ter diversas apresentações, mas o componente mais importante está relacionado a um desconforto leve que pode evoluir para uma dor incapacitante. Alguns Cavaliers fazem um movimento repetido dos membros como se estivessem coçando o ar próximo à região do pescoço.

 

Diagnóstico e Tratamento
Chega-se ao diagnóstico através de exames por imagem avançado e da interpretação de um neurologista experiente. O tratamento pode variar de simples analgésicos e antinflamatórios a cirurgias descompressivas.

 

Ressonância Magnética e Prevenção
A seleção de matrizes baseada em exames de ressonância magnética vem sendo empregada no Reino Unido para reduzir a população de cães com esses problemas.

Os animais com predisposição a desenvolver a Siringomielia devem fazer exames de ressonância magnética ao menos duas vezes ao longo da vida, sendo a primeira delas entre 1 e 3 anos; e a segunda, aos 5 anos. Os achados são interpretados quanto à presença ou não de dilatações no canal medular. Os resultados qualificam o acasalamento, uma vez que buscam-se parear cães que apresentem as menores chances possíveis de desenvolver a doença”.


Dr Alex Adeodato
é Neurologista Veterinário e Diretor-Geral do CRV Imagem.

 

 

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O Fórum reuniu uma gama de veterinários especialistas em diferentes áreas.

 

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Dr Alex Adeodato: palestra sobre a Siringomielia, doença neurológica.

 

 

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