Quando usar a Citologia Guiada por Agulha Fina?

“Os clínicos sabem do que se trata a Citologia Guiada por Agulha Fina, mas nem todos sabem o quão disponível ela está”. Referência no assunto, Dra Luciana Amado, Coordenadora de Setor de Ultrassonografia do CRV Imagem, fala do seu entusiasmo pela técnica e monta um passo a passo sobre a aplicabilidade da Citologia Guiada.

 

Dra Luciana, vamos voltar um pouco: o que é a Citologia Guiada por Agulha Fina?

A Citologia Guiada é a coleta de material de órgãos e tecidos na cavidade abdominal ou tórax. Com a ajuda do ultrassom, O profissional é capaz de alocar a agulha com precisão e coletar por capilaridade as células da lesão. É um procedimento rápido e menos invasivo que a biópsia. Na maioria das vezes, dispensamos a anestesia. O‪ ‎ultrassom‬ nos permite monitorar em tempo real, posicionar a agulha e coletar amostras com maior informação para fecharmos diagnóstico.

Vale ressaltar um detalhe: a coleta por capilaridade (também conhecida por não aspirativa) na maioria das vezes consegue amostras de melhor qualidade do que a feita por aspiração, já que, nestas últimas, a amostra costuma vir com muito sangue. Vale ressalvar que a técnica com aspiração tem o seu valor, principalmente nos casos de neoplasias que não esfoliam ou liberam células com facilidade.

Quando podemos lançar mão da técnica?

Ela se aplica a neoplasias de uma maneira geral, hepatopatias, doenças do sistema linfático, entre outras possibilidades. Tudo de que precisamos é um paciente cooperativo, um clínico que deseja fechar um diagnóstico, uma agulha com profundidade para alcançar a lesão e um patologista de confiança.

E quais são os medos?

As pessoas têm muitos receios: algumas acham que a agulhar vai romper o órgão ou o tumor, que o paciente está muito debilitado, com índice baixo de plaquetas, e por isso não pode se sujeitar ao processo.

O fato é que a agulha da citologia guiada é muito fina, do mesmo calibre da utilizada em acesso venoso ou coleta de sangue. Os riscos existem, mas não pequenos e raros. No mais, os órgão possuem uma certa plasticidade: quando perfurados, eles rapidamente retornam ao seu estado original.

Dra Luciana, em que casos e em quais órgãos a Citologia Guiada por Agulha Fina se aplica?

Bom, vamos lá:

Fígado

A citologia funciona em casos de neoplasias e doenças difusas, como por exemplo, hepatopatia vacuolar ou processos inflamatórios / supurativos.

Rim

A citologia guiada funciona bem quando há suspeita de tumor (nódulo, massa). Quando não há esta suspeita, a biópsia torna-se a técnica mais indicada, com retirada de fragmento. A própria arquitetura renal, com túbulos, e o fato de o rim ser um órgão com poucas células, não favorecem a citologia guiada.

Baço

Há indicações em casos de nódulos, para diferencia-los de hiperplásicos ou neoplásicos, massas, neoplasias difusas como linfoma e mastocitoma e doenças difusas como, por exemplo, a hematopoise extramedular.

Intestino

É preciso que haja massa. O intestino é muito fino, então tem de haver um espessamento bem evidente, do contrário, ao puncionarmos, corremos o risco de contaminar a cavidade intestinal com fezes ou alimentos.

Bexiga

A bexiga é um caso à parte. Nela, conseguimos aplicar a citologia, mas não por agulha fina.

Explico: O tumor mais comum na bexiga é o carcinoma de células de transição, que possui um agravante: ele é muito metastático. A Literatura tem exposto que, após perfurar a lesão e iniciar o seu caminho de volta, a agulha “deixa” células neoplásica no trajeto da agulha, aumentando as chances de metástase nesse local.

No CRV Imagem, fazemos por cateterismo. Guiada pelo ultrassom, uma sonda passa pela uretra do paciente até atingir a lesão, que é esfoliada. Na ponta da sonda acumulam-se células que, em seguida, são acopladas Desprezadas na lâmina. Assim, diminuímos as chances de metástase.

Pulmão

A Citologia Guiada por Agulha Fina é aplicável. No entanto, é preciso que o paciente faça um exame de raios-x prévio para que consigamos identificar a localização da lesão. Ela deve estar próxima ao gradil costal para que o procedimento possa ser guiado pelo ultrassom. Um pulmão saudável, cheio de ar, entre a costela e a lesão não é o melhor cenário aqui. Quando não é possível ter as condições ideias, fazemos “punção às cegas”.

E quanto custa um procedimento de Citologia Guiada por Agulha Fina?

Este é outro mito que precisamos quebrar. O procedimento não é caro. Ele tem o mesmo custo de um exame de ultrassonografia comum, acrescido dos serviços de patologia.

 

 

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