Dr Alex Adeodato: Epilepsia Canina e os Exames de Imagem

Mais comum do que se imagina, a epilepsia acomete 2% dos cães em algum momento de suas vidas. Dr Alex Adeodato, diretor-geral do CRV Imagem e médico veterinário com mestrado pela UFRRJ e doutorado em Neurociência pela UNIFESP, é referência no assunto, tendo inclusive se aprofundado na investigação de novos tratamentos para a epilepsia canina. Nesta entrevista, Dr Alex fala das causas ainda confusas para a desordem, a correta condução em momentos de crise e o papel dos exames de imagem no tratamento da epilepsia.

 

É verdade que a epilepsia é uma das mais frequentes causas de encaminhamento de cães e gatos ao neurologista?
Muito frequente nos cães. Aproximadamente 2% dos cães apresentam algum tipo de crise epiléptica ao longo da vida, o que torna essa a alteração neurológica mais frequente no consultório veterinário. Os felinos apresentam crises com menor frequência, porém costumam ser mais preocupantes.

 

Quanto já sabemos sobre as causas da epilepsia?
Ainda temos muito para entender sobre a desordem em si. Existem muitos centros de pesquisa no mundo buscando essas respostas. Mas nem tudo é obscuro. Sabemos que há raças mais predispostas e algum componente genético envolvido. Sabemos também que, na maioria dos animais, o controle das crises é simples, desde que o tratamento seja estabelecido no início e de forma individualizada, respeitando as características de cada paciente. Casos em que o paciente é refratário às medicações mais rotineiras de controle, como o fenobarbital e o brometo de potássio, são mais desafiadores.

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Que tipo de preocupação devemos ter ao nos depararmos com um animal convulsionando?
As crises com duração de até 5 minutos podem gerar alterações apenas transitórias de ordem clínica e/ou neurológica. O paciente pode ficar por algum tempo desnorteado, cego e descoordenado, mas a melhora é vista espontaneamente logo após o fim da crise. Quando as crises duram mais tempo, as coisas podem ser mais complicadas e deve-se procurar um atendimento emergencial o mais rápido possível.

 

Qual a importância dos exames de imagem na investigação de um paciente com epilepsia?
Os exames de imagem avançados como a Tomografia Computadorizada e a Ressonância Magnética são fundamentais na abordagem diagnóstica e terapêutica desses pacientes. É absolutamente necessário entender se as crises convulsivas são apenas por uma desordem no controle da comunicação dos neurônios cerebrais ou em função de algum outro problema mais complicado que possa também promover a ocorrência de crises. Tumores cerebrais e as meningoencefalites, por exemplo, são importantes diagnósticos diferenciais que precisam ser excluídos, sobretudo quando as primeiras crises aparecem após os 3.5 anos de idade do paciente.

 

Dr Alex Adeodato, referência no assunto: "Ainda temos muito para entender sobre a desordem em si".
Dr Alex Adeodato, referência no assunto: “Ainda temos muito para entender sobre a desordem em si”.

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