A Oncologia nos EUA, por Dra Roberta Portela

A oncologia é das áreas veterinárias que mais cresce e evolui cientificamente nos últimos anos. O desenvolvimento de anticorpos monoclonais para linfoma, nova quimioterapia e, quem sabe em breve, a vacina para osteosarcoma são alguns dos avanços já conquistados e dos que estão por vir.

Dra Roberta Portela, especialista em oncologia pelo Colégio Americano de Medicina Veterinária (ACVIM) e, desde 2014, atuando no Premier Veterinary Group, em Chicago, fala ao Blog do CRV Imagem sobre a sua rotina oncológica nos EUA e a diferença de atitude entre o proprietário brasileiro e o norte-americano frente a decisões difíceis.

 

A oncologia é uma das áreas da medicina veterinária que mais vem crescendo ultimamente. Como oncologista de um hospital de referência nos EUA, quais os tipos de câncer em cães e gatos que você mais vê na sua rotina?

Linfoma ainda é o campeão da casuística, seguido de mastocitoma, hemangiosarcoma e tumores de bexiga. Eu diria que a casuística é similar à do Brasil, quando excluímos tumores de mama (incomuns nos EUA porque é rotina castrar animais ainda jovens) e carcinoma espinocelular (também incomum no norte dos EUA devido à relativa baixa exposição ao sol).

 

Existem novidades importantes no tratamento de pacientes oncológicos? Como isso está impactando o tratamento dos seus pacientes?

Sim, cada vez mais as empresas farmacêuticas estão interessadas no mercado oncológico veterinário, então novidades são constantes, praticamente anuais. Ano passado, foi o desenvolvimento de anticorpos monoclonais para linfoma; este ano, uma nova quimioterapia também para linfoma (principalmente os resistentes à terapia), e ano que vem, a promessa de imunoterapia (“vacina”) para osteosarcoma.

Infelizmente, os anticorpos monoclonais falharam em aumentar a sobrevida de pacientes com linfoma. Entretanto a esperança por melhores prognósticos e o desejo de sair do lugar comum e explorar novas terapias continua, tanto da nossa parte quanto dos tutores.

 

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Que diferenças você observa no comportamento dos tutores brasileiros e americanos na hora de tomar decisões importantes como cirurgias difíceis, tratamentos muito caros, eutanásia etc?

Estou no mercado americano há mais de 7 anos, mas o que me lembro da minha experiência no Brasil é que os tutores agiam mais pela emoção do que pela razão, enquanto aqui o oposto é mais comum.

Por exemplo, aqui eu preciso a ter capacidade de discutir diferentes opções de terapia, o valor delas e o prognóstico associado a cada uma delas para que o dono tome uma decisão. Só depois de levantar o investimento necessário e dados sobre a qualidade de vida com e sem o tratamento é que o dono decide se vale a pena o sacrifício financeiro e emocional, tanto dele quanto do pet.

Já no Brasil, as pessoas não tinham o costume de questionar sobre a expectativa de sobrevida, se havia outras opções que não fossem as indicadas. A tendência sempre foi confiar que o veterinário faria o que fosse melhor. E os proprietários assumem os custos, sejam quais forem.

Vale ressaltar que, hoje, no Brasil, apenas uma pequena porcentagem dos donos de pets tem condições de levar o animal a um especialista. Enquanto nos EUA, mesmo a classe baixa encaminha os pets para os especialistas, nem que seja para a primeira consulta, para ouvir as opções antes de seguir ou não com o tratamento.

 

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