RX de Tórax para Cardiopatias Estruturais

Pouco solicitado, o exame de Raios-X de Tórax tem papel estratégico para diagnosticar cardiopatias estruturais. Nesta entrevista, Dra Luciana Duque e Dr Rômulo Braga, cardiologista e radiologista do CRV Imagem, se alternam para fornecer um parecer técnico sobre o assunto.

 

Dra Luciana, por que o exame de raios-x (RX) de tórax é também importante para o diagnóstico de cardiopatias?

A radiografia torácica é uma das abordagens primárias no diagnóstico por imagem por ser simples, rápida, não invasiva e econômica. Apesar de não ser o padrão ouro para diagnosticar cardiopatias estruturais, fornece informações qualitativas ou subjetivas sobre tamanho e formato do coração, além de evidenciar vias aéreas intratorácicas, parênquima e vascularização pulmonar, permitindo avaliação cardíaca indireta e contribuindo para o diagnóstico de insuficiência cardíaca congestiva.

Além disso, como as manifestações clínicas de doenças respiratórias e cardíacas muitas vezes são semelhantes (como tosse e dificuldade respiratória), a radiografia torácica pode ajudar a elucidar e diferenciar essas enfermidades que são tão comuns em cães e gatos.

 

Dr Rômulo, o que deve ser levado em consideração para termos um bom RX de Tórax?

A radiografia de tórax deve levar em conta a suspeita do clínico, pneumologista e cardiologista, avaliando não só o coração, mas também os vasos pulmonares e grandes vasos que entram e saem do coração, a condição dos pulmões e dos brônquios, a passagem de ar e trajeto da traqueia, e todas as estruturas na caixa torácica, como o contorno do diafragma e fígado, os linfonodos, o esôfago e a pleura.

As maiores dificuldades são conseguir uma radiografia em boa posição e com os pulmões bem inflados, já que não podemos pedir ao paciente que “encha o peito de ar e segure alguns segundos”. Para isso usamos algumas manobras, e às vezes precisamos de múltiplas radiografias, em momentos expirado e inspirado, sobre o lado esquerdo e / ou direito, de “barriga para baixo”, ou de costas “com barriga para cima”. São decisões que precisam ser avaliadas conforme cada quadro, suspeita e paciente. O equipamento necessário é uma fator essencial, uma vez que é preciso que a radiografia seja tomada em tempo muito curto, para que não fique borrada com os movimentos respiratórios naturais.

 

 

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