Nistagmo: um sinal a ser notado

“As síndromes vestibulares são alterações muito comuns na rotina clínica de cães e gatos. A partir do exame clínico neurológico é possível caracterizar a síndrome como periférica (SVP) ou central (SVC)”, explica o neurologista veterinário e diretor-geral do CRV Imagem, Dr Alex Adeodato. Neste artigo, Dr Alex expande o tema das síndromes vestibulares — já discutido aqui no Blog —, com especial atenção ao nistagmo como sinal clínico, e explica por que a Tomografia deve ser a modalidade de exame escolhida para o fechamento de diagnóstico.

 

 

Dr Alex, quais as diferenças entre a Síndrome Vestibular Periférica (SVP) e Síndrome Vestibular Central (SVC)?

A primeira acontece por uma alteração nos receptores de movimentos (labirinto) ou no VIII nervo craniano e pode causar desequilíbrio, inclinação de cabeça, nistagmo horizontal ou rotatório e estrabismo. A segunda envolve o tronco cerebral e/ou o cerebelo e, além dos sintomas já descritos, pode apresentar perda proprioceptiva e alteração de consciência. O nistagmo vertical só é visto na SVC.

 

E como podemos definir nistagmo?

Nistagmo é o nome técnico usado para descrever movimentos rápidos e involuntários dos olhos. Ele acontece de forma fisiológica quando há movimentação da cabeça, mas o que nos chama atenção é o nistagmo patológico, que ocorre com a cabeça parada. Pode ser de um lado para o outro (horizontal), de cima para baixo (vertical) ou ainda rotatório.

Frequentemente, o nistagmo vem acompanhado de outros sintomas como inclinação de cabeça, andar em círculos e incoordenado. Quando ele aparece é sinal de que há uma falha nos mecanismos de percepção e/ou coordenação do equilíbrio. As causas são diversas e o diagnóstico precoce pode fazer toda diferença na vida do paciente.

 

 


Nistagmo Rotatório.

 

 

Quais as causas mais comuns para Síndrome Vestibular Periférica (SVP)?

 

– Otites média-internas são a causa mais comum de SVP. Normalmente são extensão de uma otite externa, mas muitas vezes surgem sem evidência de lesão na orelha externa. Prognóstico é bom se mantido antibioticoterapia prolongada (mínimo 3 meses). Algumas vezes há necessidade de drenagem do conteúdo a partir de uma osteotomia de bula timpânica;

 

– Pólipos nasofaríngeos inflamatórios são frequentes em felinos de 1 a 5 anos de idade e podem apresentar sinais vestibulares além de déficits auditivos e sinais respiratórios. Normalmente há necessidade de retirada cirúrgica;

 

Doenças vestibulares idiopáticas nos cães idosos são também conhecidas como “doença vestibular do cão idoso” e frequentemente referidas como “AVCs” por seu início agudo em animais de idade mais avançada. O diagnóstico é feito pela exclusão de todas as outras causas de SVP. O tratamento é de suporte e o prognóstico é bom. A melhora costuma acontecer em 2 ou 3 semanas podendo permanecer alguma inclinação de cabeça;

 

– No felino, a doença idiopática acontece em animais de qualquer idade e podem ser uni ou bilaterais. Diagnóstico, tratamento e prognóstico são semelhantes aos da doença vestibular idiopática canina.

 

 

Por que a tomografia é o exame ideal para o diagnóstico do nistagmo e de outros casos de SVP?

A caracterização precisa da doença vestibular é fundamental para as decisões terapêuticas apropriadas em cada caso. Esses pacientes devem passar por uma avaliação otoscópica, preferencialmente com o paciente anestesiado. Exames radiográficos bem criteriosos podem demonstrar alterações estruturais grosseiras na região do osso temporal. No entanto, alterações mais sutis ou mesmo bulas timpânicas repletas de conteúdo podem parecer normais na radiografia simples, e por isso, exames de imagem mais sofisticados como a tomografia computadorizada ou a ressonância magnética devem ser preferidos. Na evidência de otite média, amostra do conteúdo pode ser coletada via miringotomia e submetida à cultura e antibiograma.

 

 

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