A Paixão Alada de Dr Renan Cevarolli

Ainda criança, foi num torneio de canto de pássaros que Dr Renan Cevarolli começou a traçar seu destino profissional. Não tardou muito e, aos 16 anos, ele já era chefe de roda e organizador do torneio estadual. Nesta entrevista, o veterinário à frente da Hamadulu Cuidados Veterinários fala sobre o início da carreira, a sua rotina clínica, as defasagens da faculdade e o papel dos criadores de aves na preservação das espécies.

 

Olá, Dr Renan, obrigado por conceder esta entrevista. Você é hoje o veterinário referência entre os “passarinheiros”. Quando surgiu o seu interesse pelos passeriformes?

Desde a infância, sempre tive paixão pelos alados. Meu pai tinha alguns pássaros em casa apenas para admiração. Eu sempre fui muito competitivo. Certa vez, ainda pequeno, estive com alguns amigos num torneio de canto de passeriformes. Ali, essa modalidade se transformou numa paixão. Com 16 anos eu já era chefe de roda, um dos organizadores do torneio estadual do Rio de Janeiro.

 

Você tem alguma lembrança do momento em que decidiu ser veterinário?

Desde as fraldas, sempre falei que seria veterinário. No ensino médio, por ser muito bom em matemática, surgiu a dúvida entre fazer matemática ou veterinária, mas deixei o sonho de criança falar mais alto e não me afastei dos números, já que praticamente todas as drogas que usamos são diluídas para animais que variam de 10g até 5kg.

 

Conte-nos por favor um pouco sobre a sua trajetória profissional até aqui.

Sou formado pela Universidade Estácio de Sá e Pós Graduado em Clínica Médica e Cirúrgica de Animais Selvagens. Durante a faculdade, fiz estágio em praticamente todas as áreas clínicas e tenho uma paixão especial por cirurgia. Estudava mais sobre aves por ser uma parte importante da minha vida, mas não tinha vontade de fazer clínica de aves, pois não tinha boas referências profissionais na área. Porém, quando me formei, vi que era um bom nicho de mercado no qual eu poderia crescer e inovar. Parece ter dado certo! Hoje a Hamadulu Cuidados Veterinários é referência na área de animais silvestres.

 


Dr Renan em ação: “Infelizmente, a pessoas confundem os criadores com traficantes de aves”. 

 

Atualmente, quais os casos clínicos mais recorrentes na sua rotina?

Os mais recorrentes são as patologias respiratórias, traduzidas em aerossaculite, pneumonia, siringite e sinusite. Também temos um grande número de parasitoses como a coccidiose e outras patologias que afetam o trato gastrointestinal.

 

De que forma os exames de imagem mais te ajudam?

Os exames de imagem são uma grande arma no diagnóstico de patologias em aves. Trata-se de um extenso mapeamento do animal. Com eles conseguimos observar os espessamentos de folhetos de sacos aéreos em casos de aerossaculite, vísceras fora do seu tamanho ou posição originais, corpos estranhos e outras alterações.

 

O que a universidade não te ensinou sobre pássaros e que você só veio a aprender na prática?

O comportamento destes animais, as particularidades de cada espécie. Tratar de um passeriforme de canto jamais será igual a tratar de uma calopsita, de um papagaio ou de uma arara. As aves de canto devem ser manipuladas com restrição, e as medicações inalatórias, em comida ou água de bebida, utilizadas quando possível.

Quem estiver pensando em trabalhar com pássaros precisa estudar muito, estar no meio, se inteirar sobre o comportamento e a linguagem dos criadores e, acima de tudo, ter paixão pelo que faz.

 

Você é um especialista em aves canoras, as que cantam. Que informação importante as pessoas não sabem sobre essas aves mas que deveriam saber?

Infelizmente, ainda há muito preconceito com os criadores. As pessoas confundem os criadores com traficantes de aves e pensam que o canto é um lamento. O canto das aves tem a finalidade de marcação de território ou de corte para reprodução. Você acha que alguém neste mundo iria estar se lamentando cantando para reproduzir?

O maior inimigo das aves na natureza não são os criadores especificamente. O maior vilão são os que desmatam de forma não sustentável para instalar agricultura e pecuária, os que usam agrotóxico para matar pragas e predadores, os pássaros. Os maiores inimigos dos pássaros somos nós, que avançamos com as cidades pra cima do habitat natural deles.

É importante ressaltar que a criação em cativeiro tirou da lista de animais em extinção pássaros como o Bicudo e o Curió, e hoje contribui como um grande banco genético para possibilitar a reintrodução em áreas recuperadas.

 

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