Etiologia, Sintomas, Diagnóstico, Prognóstico e Prevenção

Comum em gatos persas e de raças exóticas, como os himalaias e os ingleses, a Doença Renal Policística não é mistério para Dra Eveliny Eleutério, da equipe de RX e US do CRV Imagem. A DRP tem a ultrassonografia e os raios-x entre as suas formas de diagnóstico. Neste manual, além do diagnóstico, Dra Eveliny cobriu etiologia, sintomas, prognóstico e prevenção.

 

O que é a doença renal policística nos felinos

A doença renal policística felina (DRP) é uma enfermidade autossômica dominante hereditária, ou seja, é uma doença transmitida por herança, dos pais para o filhote, devido às mutações em um gene (PKD1). Em uma menor parcela de gatos que aparentam ter a doença, as mutações neste gene não são identificadas, sugerindo que nesses casos a DRP se deva a outras mutações genéticas.

Gatos das raças persa e exóticas — originadas de seu cruzamento, como Himalaias, ingleses curtos e escocesas — são mais frequentemente acometidos pela doença. No entanto, os gatos de pelo curto e sem raça definida também podem sofrer de DRP. 

 

Cistos

A presença de cistos nos rins é característica da DRP. Os cistos podem se desenvolver também no pâncreas, fígado e baço com tamanhos variados, desde aqueles que mal são visíveis até os de centímetros de diâmetro. À medida que os cistos aumentam de tamanho, comprimem o parênquima renal e causam destruição, culminando normalmente com a insuficiência renal crônica (IRC). Cistos renais unilaterais geralmente são assintomáticos, quando o rim contralateral encontra-se hígido.

 

Por que a DRP acontece?

A etiologia da DRP ainda não foi totalmente esclarecida nos gatos e os cistos podem ser hereditários ou adquiridos. Os cistos congênitos costumam se apresentar bilateralmente, e pelo menos um dos pais é portador da doença. Quando adquiridos, acometem normalmente apenas um rim.

Uma das teorias para o desenvolvimento dos cistos é a incapacidade dos néfrons e ductos coletores em se unir. A hiperplasia das células epiteliais pode levar ao desenvolvimento de pólipos e causar uma obstrução parcial, e subsequente dilatação dos túbulos renais, produzindo as estruturas císticas. Um defeito na membrana basal também pode ser a causa de dilatações secundárias dos túbulos renais devido à flacidez na parede.

 

Os Principais Sintomas

Normalmente os sinais da doença ocorrem tardiamente, entre três a dez anos de idade, quando geralmente o quadro de insuficiência renal começa a se instalar, mas podem se manifestar até mesmo em animais neonatos, embora com muito menos frequência. Animais severamente afetados podem vir a óbito antes de um ano de idade. Alguns gatos com DRP sobrevivem por muito tempo sem manifestar sinais de falência renal, e depois morrem de outras causas naturais.

Quando presentes, os sinais clínicos mais comuns da DRP em gatos são aqueles relacionados à insuficiência renal:

– Letargia;

– Falta de apetite;

– Perda de peso;

– Vômitos;

– Aumento da ingestão de água;

– Aumento da micção;

– Presença de sangue na urina.

No exame físico, pode-se notar desidratação, mucosas pálidas e emaciação. Os rins geralmente encontram-se maiores e irregulares à palpação e os animais ainda podem apresentar febre, piúria e leucocitose.

 

Dra Eveliny Eleutério, veterinária da equipe de RX e US do CRV Imagem.

 

Diagnosticando a DRP

O exame ultrassonográfico é um procedimento indolor, de fácil acesso e baixo custo que pode detectar precocemente a DRP, sendo útil na triagem de gatos que não manifestam sinais clínicos de doença renal.

É possível visualizar cistos renais em gatos jovens com idade entre seis a oito semanas de vida, mas a ausência de cistos nessas idades não é conclusiva para o diagnóstico, podendo ocorrer resultados falso-negativos na presença de estruturas muito pequenas.

O diagnóstico definitivo através da ultrassonografia abdominal é dado  após 10 meses de idade, apesar da histopatologia através da biópsia renal por vezes ainda ser necessária como um meio de exclusão de diagnósticos diferenciais. No entanto, se um gato for negativo com 10 meses de idade, é aconselhável esperar mais alguns meses e repetir o exame ultrassonográfico. Os gatos podem ser então considerados livres da doença se os cistos não se formarem por volta de 12 a 18 meses de idade.

Os testes de PCR (reação em cadeia polimerase) em tempo real são confiáveis e rápidos quando comparados à ultrassonografia na detecção da DRP. Testes de DNA para o gene PKD1 podem ser usados na identificação de animais em risco para o desenvolvimento da doença, no entanto a presença de mutações no PKD1 não indica o grau de severidade da afecção, mas também é utilizado na triagem de pacientes predispostos.

A radiografia abdominal pode evidenciar rins de dimensões aumentadas e contornos irregulares. A urografia excretora pode demonstrar os cistos como múltiplas estruturas ovaladas a arredondadas e presença de alterações da pelve renal.

Ao desconfiar de alterações renais, exames bioquímicos renais e avaliação laboratorial da urina também podem ser úteis na detecção da insuficiência renal crônica.

 

 

Tratamento

A DRP tem desenvolvimento lento, progressivo e irreversível. Não existe um tratamento específico ou cura para esta afecção. Como em todos os casos de insuficiência renal crônica, o tratamento consiste em suporte clínico para o paciente com controle da pressão arterial, correção do desequilíbrio hidroeletrolítico e minimização de distúrbios gastrointestinais. Gatos com DRP podem ser candidatos à hemodiálise ou ao transplante renal.

Na ocorrência de infecções secundárias dos cistos, o gato pode manifestar dor, falta de apetite e apatia. Por vezes, a febre é o único sinal clínico e mesmo quando o resultado da urocultura é negativo, ainda existe a possibilidade de infecção uma vez que os cistos infectados podem ser do tipo que não se comunicam com o sistema coletor.

Punções aspirativas dos cistos podem ser realizadas com auxílio da ultrassonografia como guia. Por vezes, para este procedimento, os animais não precisam de anestesia ou sedação, sendo puncionado todo o volume de fluido possível de cada um dos cistos maiores, reduzindo o desconforto abdominal do paciente.

 

Prognóstico

O prognóstico da DRP é sempre reservado, pois vai depender do grau de comprometimento renal devido à presença dos cistos, estágio de evolução da doença renal crônica, resposta do paciente ao tratamento e das condições e desejo dos tutores em dar continuidade à terapia de suporte.

 

Prevenção

A melhor maneira de prevenir a DRP é a identificar animais acometidos pela doença e castrá-los, tendo em vista que gatos positivos podem transmitir a doença para a sua prole, mesmo na ausência de sinais clínicos. A ultrassonografia abdominal antes do início da vida reprodutiva, bem como dos familiares quando for identificado um animal positivo, ou testes genéticos para PKD1, são válidos na triagem dos gatos suspeitos.

O mais importante é se certificar que o gato persa ou de qualquer outra raça relacionada tenha passado pela triagem para DRP antes da aquisição por compra ou adoção, buscando sempre criadores confiáveis e responsáveis.

 

 

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