Comportamento Animal, com Dra Rita Ericson

Será que a castração torna cães bravos em doces de pessoa? E, se castrados, não servem mais como cães de guarda? E aqueles cachorros que, quando saem pra passear, não param de latir. Será que tem jeito? Mesmo depois de 10 anos?

Vocês deixaram essas e outras perguntas no Facebook do CRV Imagem, e missão dada é missão cumprida. Para sanar todas as dúvidas, convocamos a Dra Rita Ericson, veterinária com mestrado em comportamento animal e concluindo pós-graduação em etologia clínica. Dra Rita também presta consultoria em comportamento animal e está à frente do portal Bicho Saudável.

 

Dra Rita, diz-se que a castração torna cães agressivos em dóceis. Isso procede?

​Infelizmente, não. A castração ​​é indicada para controle populacional e pode ter um papel importante na prevenção de doenças nos órgãos reprodutivos​: útero, ovários, mamas, testículos e próstata. Os cães machos intolerantes a outros cães machos podem ter uma redução nesta reatividade, se for realizado um trabalho comportamental paralelo à castração. A castração também pode reduzir a marcação urinária e o comportamento de monta.

 

Cães castrados podem ser bons cães de guarda?

​Não há nenhum indício de que os cães castrados diminuem sua atenção e vigilância​, logo eles podem ser bons cães de guarda, se treinados para este trabalho.

 

Tenho um cachorro que, basta ver outro na frente, ele já quer avançar. O que devo fazer?

​O ideal é acostumá-los a outros cães, desde filhotes. Assim como devem ser socializados com crianças, skates, carrinhos, bicicletas e outras espécies.​

​Mas se o cão já reage, o trabalho deve ser realizado com cuidado. O cão deve associar sensações positivas (alimentos, carinho, elogios, brincadeiras)​ à presença de outros cães, antes de ele ficar tenso. Muitas vezes, as famílias têm dificuldade de agir desta forma, com a intenção de evitar conflitos. O resultado acaba sendo pior, os cães são puxados e privados de ter contato com outros animais e aprendem que cães são realmente uma ameaça. Um profissional de educação canina ajuda muito!

 

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Tenho uma cadela que é um amor em casa mas, quando sai à rua, late o tempo todo, e por vezes ainda fica correndo e voltando para morder meu pé. Ela já tem dez anos. Será que ainda posso fazer alguma coisa?

​Com certeza há muito a fazer! Costumo comparar a um ser humano, já adulto, que quer aprender uma outra língua. É bem mais fácil quando criança, mas é totalmente possível aprender novidades durante a vida adulta.​

 

 

Tenho uma cadela que tem obsessão pela guia. Ela é um amor, não morde ninguém. Mas se deixá-la na companhia da guia, ela se esconde debaixo da cama e é capaz de passar o dia inteiro sem comer ou beber, só vigiando o objeto. Tem como acabar com essa obsessão?

​Há tratamento, mas precisa ser avaliado e realizado com cautela para evitar que o cão seja punido e corrigido de forma inadequada. Os casos de compulsão e obsessão muitas vezes precisam de tratamento medicamentoso associado à modificação comportamental.

 

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Existe alguma espécie de treinamento ou acompanhamento que possa prevenir questões comportamentais desagradáveis, como as citadas acima? Ou é melhor que elas se manifestem para que então sejam cuidadas?

​É sempre melhor prevenir! A socialização dos filhotes, a comunicação clara, as regras coerentes e consistentes e uma qualidade de vida boa (os cães precisam ter a oportunidade de expressar seu comportamento normal: roer, brincar, correr, farejar) são a chave para um bom comportamento e uma vida feliz!​

 

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