A Especialização na Veterinária, com Dr Antonio Lacreta Junior

Em 2017, após extensa pesquisa com profissionais da veterinária, o jornal britânico The Daily Telegraph cravou o que o mercado já sabia por alto: “o veterinário com especialização recebe mais indicações dos colegas e consegue lucrar mais com a profissão”.

A exemplo do que acontece na medicina humana, o profissional com conhecimento profundo sobre uma área parece ser o futuro da veterinária. Para Dr Antonio Carlos Cunha Lacreta Junior, professor de Diagnóstico por Imagem da Universidade Federal de Lavras (MG), “não há por que voltar atrás ao ‘veterinário faz tudo'”. Na sua opinião, equipes multidisciplinares evoluem mais rápido e podem oferecer maior eficiência no atendimento.

Mas qual o caminho das pedras para se especializar no Brasil? A quem recorrer? Que etapas cumprir? Dr Lacreta, que também é membro do Colégio Brasileiro de Radiologia Veterinária (CBRV), sentou com o Blog do CRV Imagem para falar da importância dos Colégios e Associações na especialização, o papel das residências nesse processo e por que é salutar não termos ainda tantos especialistas no mercado. Confira!

 

Dr Lacreta, qual a importância dos Colégios na regulamentação da especialidades do Brasil?

As Sociedades, Associações e Colégios que congreguem profissionais de uma determinada área/especialidade são os responsáveis por provocar o Conselho Federal de Medicina Veterinária (CFMV), com intuito de se habilitarem para conferir e revalidar os títulos de especialista no Brasil. Dessa forma, essas entidades tornam-se as responsáveis por avaliar e selecionar os profissionais especialistas de uma determinada área.

No entanto, vale dizer ao profissional que não basta ter o aval da entidade habilitada para se tornar um especialista. Para que isso ocorra, o profissional deve registrar seu título no CRMV local em que estiver inscrito. A resolução CFMV Nº935 de 10 de dezembro de 2009, que dispõe sobre Acreditação e Registro de Título de Especialista em áreas da Medicina Veterinária e da Zootecnia, no âmbito do Sistema CFMV/CRMVs, define toda tramitação para se ter o título de especialista.

 

Dr Lacreta (quarto da direita para a esquerda) e sua equipe de residentes. 

 

Você acredita que, no que diz respeito ao registro das especializações, estamos avançando na direção e velocidade certas?

Acredito que na direção, sim; na velocidade, nem tanto, o que é salutar!

A especialização na medicina veterinária é fruto de pelo menos três situações:

  1. Necessidade do profissional em se diferenciar no mercado atual, muito mais inchado e competitivo;  
  2. Aprofundamento do conhecimento sobre tópicos da medicina veterinária (avanço na medicina veterinária);
  3. E aumento afetivo na interação homem-animal.

Nesse contexto, penso que estamos na direção correta. Não há por que voltar atrás ao veterinário “faz tudo”.

As equipes multidisciplinares evoluem mais rápido e com maior conhecimento, oferecendo saúde de excelência ao paciente e felicidade ao seu tutor.

 

 

Mas o que impede então de termos mais especialistas?

O maior entrave é a tramitação pela qual a entidade certificadora deve passar pode poder habilitar os profissionais como especialistas. A entidade que tiver interesse em se habilitar para certificação e revalidação do título de especialista deve ter pelo menos cinco anos de existência jurídica e possuir massa crítica.

Ou seja, é preciso que, num primeiro momento, os formadores de opinião de um determinado tema se organizem em uma entidade e, seguida, que essa acumule pelo menos cinco anos de existência. O período pode ser visto como longo pra uns, mas outros acreditam que seja necessário zelar pelo controle dos especialistas que serão colocados no mercado. E, nesse sentido, o tempo de estrada de uma entidade e o amadurecimento científico de seus membros tornam-se imprescindíveis à qualidade dos profissionais.

 

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Em países como EUA e Reino Unido, o título de especialista só é dado ao candidato que se submete a uma residência e a uma bateria de provas que comprovem um conhecimento mínimo. Alcançado esse patamar, o mercado entende e valoriza esse profissional de forma absolutamente diferenciada. Qual é o atual cenário de valorização de especialistas no Brasil?

Aqui no Brasil o trâmite é similar. Observando a resolução CFMV Nº935, uma das condições para o médico veterinário se candidatar à prova para obtenção do título de especialista é ter participado de algum programa de pós-graduação ou especialização com no mínimo 500 horas, das quais 100 horas dedicadas à atividade prática.

As residências no Brasil também aumentaram e com certeza são o melhor canal para especialização na nossa profissão. A residência é uma oportunidade excelente para se especializar e também aprender a trabalhar em equipes multidisciplinares.

Do ponto de vista de mercado, vejo o especialista cada vez mais valorizado. Diariamente vejo os tutores procurando mais os especialistas. O acesso à informação também torna o mercado mais exigente e acaba por valorizar o profissional mais qualificado para atendê-lo.

 

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Como os médicos veterinários podem contribuir para melhorar a valorização da profissão por aqui?

A maior contribuição que o médico veterinário pode dar é ser ético, profissional, focado no bem estar do paciente e felicidade de seu tutor. É importantíssimo que também saiba compreender suas limitações e encaminhar situações clínicas específicas aos colegas especialistas. Volto a dizer que equipes multidisciplinares oferecem melhor qualidade e excelência em atendimento.

 

Obrigado, Dr Lacreta.

 

Dr Antonio Carlos Cunha Lacreta Junior é veterinário, professor de Diagnóstico por Imagem da Universidade Federal de Lavras (MG), membro do Colégio Brasileiro de Radiologia Veterinária (CBRV), e atualmente desenvolve pesquisas sobre diagnóstico por imagem aplicado a animais de pequeno e grande portes, animais selvagens e de produção.

 


 

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